Websérie para Pais - Desvendando o TEA

Lição #3

O desafio nosso de cada dia

Acredito que essa seja a parte mais importante.

É muito comum que pessoas que nunca tiveram o mínimo de informação sobre o autismo pensem que com os tratamentos corretos e necessários, as crianças possam se curar e “ficar bem”, eliminando os sintomas de uma vez por todas.

Se você convive com uma criança com TEA, já deve ter ouvido frases como:

  • "Depois desse tratamento ela ficará curada?"
  • "Um dia ela vai sair do espectro?"
  • "Quando ela vai ter alta da terapia?"
  • "Como será o futuro dela?"

Como vimos na nossa primeira lição desta série, o autismo não é uma doença, é um transtorno crônico de desenvolvimento, por isso a melhora dos sintomas é o mais provável de acontecer e não falamos em cura.

Se você é pai ou mãe de uma criança com autismo, é importante você saber que a cada desafio vencido, aparecerá um novo e diferente, mas que cada um vai gerar uma evolução no desenvolvimento do seu filho.

Nunca se falou tanto em autismo no Brasil, estima-se que os autistas representem de 1% a 2% da população brasileira e esse número vem aumentando nos últimos 15 a 20 anos.

  • No ano 2000, a incidência de casos de autismo era de 1 para cada 150 nascimentos.
  • Em 2004, esse número era de 1 para cada 125.
  • Já em 2008, foi registrado um caso para cada 88 nascimentos.
  • E hoje, nós temos 1 criança com autismo a cada 51 nascimentos.

Talvez nessa hora você está pensando: “MEU DEUS, esse número só cresce e não se sabe onde vai parar.”

Calma!

Existem dois fatores que hoje são definidos e comprovados cientificamente para justificar esse aumento:

  • Antes, muitas crianças tinham autismo e não se comprovava por falta diagnóstico, mas hoje os casos estão sendo realmente identificados. Inclusive, ferramentas como o M Chat, que vimos na lição anterior, estão sendo cruciais para tirar alguns pais do estado de dúvida.
  • O autismo fica escondido por trás de outro diagnóstico. Por exemplo: a criança tem Síndrome de Down e tem autismo também, porém o diagnóstico que fica é Down e o autismo nem é citado.

Além desses dois pontos, cientificamente comprovados, fatores ambientais estão sendo constantemente estudados pelos mais variados grupos de pesquisa para buscar evidências científicas.

A falta de diagnóstico correto já foi muito mais comum, felizmente com o acesso à informação cada vez maior, cresce a cada dia o número de crianças que são diagnosticadas corretamente.

De modo que as crianças com TEA passam a receber as intervenções necessárias para que possam desenvolver suas habilidades de comunicação, interação social e diminuam os comportamentos repetitivos.

O que mais me preocupa no autismo é o diagnóstico tardio.

Pois eu sei que quanto mais cedo for o diagnóstico, maiores são as chances de transformar os traços do autismo em um grau considerado leve, muitas vezes quase imperceptível.

As intervenções não vão transformar seu filho em uma criança neurotípica, o objetivo é fazer com que essa criança possa ter um desenvolvimento adequado com atitudes típicas das crianças da mesma idade.

Uma criança com autismo não sabe como se comportar corretamente e ela precisa ser ensinada.

É comum que crianças com TEA não façam contato visual durante uma conversa, mas não quer dizer que isso não possa ser ensinada. Não estou dizendo que será fácil, mas que esse é um dos desafios que você pode enfrentar e superar, basta intervir da maneira correta.

Autismo no dia a dia:

Conheça os 5 caminhos básicos de eixos de Intervenção

Seja para crianças, adolescentes ou adultos, existem diversos eixos de intervenção que podemos utilizar para estimular o desenvolvimento de uma pessoa com TEA.

Esses diferentes eixos melhoram bastante as formas de abordar essas crianças e têm grande importância no tratamento desde que começaram a surgir por volta dos anos 1950, pelo menos.

Esses eixos não só são muito importantes, mas também nos dão parâmetros do que fazer.

Então vamos a eles:

1.

Comportamental

Como próprio nome diz, este eixo ajuda a melhorar a capacidade de interação social, buscando uma melhor forma dessa criança funcionar no ambiente.

Por exemplo: para uma criança neurotípica de 4 anos, é normal que uma vez que se comece uma brincadeira, ela só pare de brincar quando acabar a graça ou quando o jogo terminar.

Já uma criança com TEA pode sair no meio da brincadeira e nem perceber que está saindo.

A intervenção comportamental vai agir exatamente em pontos como este, de interação com outras pessoas.

2.

Desenvolvimental

Aqui nós trabalhamos os atrasos ou desajustes que vão surgir no desenvolvimento dela, para que seja possível atingir o nível esperado para aquela idade.

3.

Individual

Este é específico para intervir em determinados atrasos ou distúrbios maiores de comportamento na criança.

Aqui entram as intervenções fonoaudiológica, terapêutico-operacional, sensorial, das estereotipias mais graves, nas ecolalias mais severas (quando o paciente repete mecanicamente palavras ou frases que ouve), dentre outras.

4.

Medicamentoso

Esse eixo consiste no uso de medicações para reduzir os sintomas do autismo e também para abordar as comorbidades de uma criança com TEA, pois aproximadamente das crianças com autismo apresentam de 2 a 5 comorbidades e muitas vezes a medicação tem um papel extremamente importante para reduzi-las.

5.

Suporte Escolar

E por último, o suporte escolar que utiliza de métodos de educação estruturada, formas de intervenção dentro da sala de aula, preparo dos professores, interação professor, família, aluno autista.

No trabalho de desenvolvimento de uma criança com autismo deve ser pensado nesses 5 eixos. Mas é importante ressaltar que nenhum autista é igual, nenhum.

Algumas crianças e jovens vão precisar mais de alguns meios de intervenção e menos de outros.

Cada caso, é um caso.

O poder da Intervenção precoce

Este é sem dúvida um grande trunfo no tratamento das crianças com autismo. Eu já falei um pouco sobre isso nesta série, mas vale a pena repetir:

A intervenção antes dos 3 anos traz melhorias incríveis no desenvolvimento da criança, mas também é muito interessante antes dos 5 primeiros anos de vida.

Hoje existe um volume de pesquisa cada vez mais crescente em crianças abaixo dos cinco anos.

Dr. Clay, quer dizer que se meu filho já passou dos 5 anos não é possível melhorar a qualidade de vida e fazer intervenções que apresentem um ganho no desenvolvimento?"

Eu sempre recomendo que, independentemente da idade, você comece as intervenções devidas para que seu filho possa se desenvolver, esses tratamentos são necessários e melhoram sim os sintomas que a criança apresenta.

O que eu defendo é que, uma vez diagnosticado o transtorno do espectro autista, o tratamento comece imediatamente, essa velocidade vai refletir diretamente nos avanços da criança.

O Papel da Família no Desenvolvimento de uma Criança com TEA

As cinco intervenções que eu citei nessa lição devem estar sempre de mãos dados com o que as pessoas da casa fazem.

Cientificamente eu não posso afirmar o quanto representa a ação da família no tratamento de uma criança com TEA, mas eu tenho certeza que é algo extremamente importante e imprescindível.

Eu sei que muitas mães e muitos pais não podem ficar 24h com os filhos, mas procure fazer com que o tempo dedicado para o seu filho ou sua filha seja um tempo de qualidade.

Ou seja, quando você estiver em casa com uma criança com TEA, esteja sempre de olho, não deixe ela fazer tudo por conta própria, agir por si só.

Sempre vigie.

Por mais que ela esteja brincando com os primos e aparentemente tudo esteja normal, a criança pode adotar comportamentos que não são os mais adequados e os pais devem monitorar, principalmente quando se buscar estabelecer novos hábitos para essa criança.

Vamos supor que essa criança tenha dificuldade para aceitar um não, se jogue no chão, faça birra…

Não vai ser de uma hora para outra que isso vai mudar, mas deve ser algo trabalhado dia após dia, por isso a participação dos pais nesse processo é fundamental.


Próximos Passos

Bom, eu espero que possa ter te ajudado com essa série, que é um primeiro passo, eu diria que uma primeira orientação para pais e familiares de crianças autistas.

Eu recomendo fortemente que você como pai ou mãe esteja sempre atento ao comportamento do seu filho ou da sua filha que, se necessário, aplique o M Chat que vimos na Lição #02 e nunca pare de buscar conhecimento para fazer o melhor pelo desenvolvimento do seu filho.

Nós aqui da NeuroSaber continuamos na missão de levar informação para todos, afim de melhorarmos todos juntos (pais, professores e profissionais) a vida de crianças e adolescentes com autismo.

Para aqueles pais que desejam se aprofundar no assunto, ter um passo a passo não só acompanhar seu filho, mas aprender como fazer parte do mundo dele, entendendo quais são os tratamentos para cada situação que o autismo traz e ter mais segurança que está fazendo a coisa certa pelo seu filho, deixe eu te falar sobre o treinamento que vamos lançar amanhã, o TEAPOIO.

O TEAPOIO é um treinamento completo para pais, nós o desenvolvemos para ser um guia completo para auxiliar pais nas mais variadas situações envolvendo o autismo:

  • Diagnóstico precoce ou tardio;
  • Diferentes Comorbidades;
  • Autismo de graus leve, moderado ou severo;
  • Crianças, adolescentes ou adultos;
  • Quais são os tipos de exames disponíveis na rede pública;
  • Quais são os exames disponíveis em clínicas e hospitais;
  • Quais são os direitos da família;
  • O que a família deve fazer;
  • Como a família deve se relacionar…
  • E muito, muito mais!

Por se tratar de um assunto sério, com muitas peculiaridades e variações de caso para caso, este é o tipo de informação que preferimos organizar em um treinamento com início meio e fim.

A minha vontade é poder atender cada paciente um a um, mas isso é humanamente impossível, para você ter uma ideia, no momento que estou escrevendo essa lição, temos 4.904 pessoas inscritas nesta série (e acredito que já tenha aumentado quando você estiver lendo).

As minhas palestras presenciais passaram a ser uma alternativa para alcançar um número maior de pessoas, porém eu moro no interior do Paraná e a viagem pode levar de 1 a 3 dias fora de casa, sem contar os custos com avião, traslado, alimentação e hospedagem.

Ou seja, o contratante paga cerca de R$7.000,00 para que as pessoas tenham de uma a duas horas de conteúdo.

A solução que encontramos foi colocar nosso mais rico e completo conteúdo em um curso com mais de 16 horas, que pode ser assistido de onde você estiver, sem ter que deixar o seu filho com outra pessoa cuidando e o melhor, com um preço totalmente acessível.

Fique tranquilo que você não vai pagar metade, nem um décimo do valor de uma palestra minha, eu preparando com a minha equipe um desconto especial de lançamento e, mais que isso, para que todos possam ter acesso, vamos parcelar em até 12x.

Isso mesmo, 12x para você ter em mãos um treinamento completo que vai te dar segurança no dia a dia, na estimulação e desenvolvimento do seu filho ou filha com TEA.

Se você quiser ser avisado sobre o lançamento do curso, eu vou deixar um link para você receber em primeira mão as informações de inscrição.

Clique aqui para se inscrever

E tem mais: eu vou liberar uma sessão em grupo, de tira dúvidas para os 20 primeiros que garantirem uma vaga, vamos conversar ao vivo, pela internet.

Esse é um presente especial para você, vamos poder conversar ao vivo sobre o caso do seu filho e o que eu faria em seu lugar, quais são os próximos passos e muito mais (mas apenas para os 20 primeiros).

Então é isso, espero que tenha gostado da série.

Um grande abraço.

e nos vemos na sessão ao vivo.

Dr. Clay


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