WEBSÉRIE: Quais os pontos que você precisa se atentar na hora de planejar o conteúdo pedagógico para uma criança com TEA

Lição #3

A educação de alunos com autismo no dia a dia

Se você tivesse que sair dessa série de lições com apenas uma coisa em mente, minha recomendação seria que você escrevesse na parede, anotasse na mão e salvasse de plano de fundo da tela do seu celular essa frase:

Crianças com autismo não aprendem da mesma maneira, é preciso utilizar uma outra abordagem com elas.”

Eu como toda pedagoga, sou apaixonada pelo Piaget, e sei o quanto os seus estudos influenciaram no ensino moderno e, certamente, ainda vão fazer muito mais por crianças do mundo todo, porém tem um pequeno problema aí: crianças com TEA não aprendem com erro.

Essas crianças, elas precisam ser estimuladas não com base no erro, mas no comportamento. A gente detalhou um pouco mais sobre isso na Aula 2, mas é importante saber que o papel do professor na educação de um aluno com autismo é educar com base comportamental!

"Como assim Lu?"

Vamos relembrar como a gente faz normalmente, para você entender a diferença:

Em uma sala de aula com crianças neurotípicas, o conhecimento vem de meios externos à criança, alguém testou, repetiu, identificou um padrão e documentou e essa metodologia documentada que é, de alguma forma, transmitida para os alunos na sala de aula.

E sabe-se que, entre erros e acertos, os educandos irão aprender, mais cedo ou mais tarde e cada um no seu ritmo, num ambiente que possibilite erros e sem um planejamento tão estruturado e controlado.

Porém o grande erro da educação atual no ensino das crianças com TEA hoje é justamente achar que o “ritmo” deles é mais lento do que o da maioria da sala e que, às vezes, tudo o que esses alunos precisam é de mais tempo ou de uma explicação mais pausada e detalhada, o que eles aprendem como uma criança típica.

ISSO NÃO É VERDADE!!!!!

Eles aprendem sim, mas de uma forma que nossa escola e nossos sistemas educacionais não estão capacitados, simplesmente porque até hoje nossa prática pedagógica não foi respaldada em ciência.

Eu já estive em sala de aula e sei como é frustrante dar o seu melhor, mas sentir como se faltasse as ferramentas certas não só educar, mas também a ajudar essas crianças a se tornarem independentes e que conseguirem atingir o máximo da sua capacidade.

Eu me sentia como se tivesse que carregar água com as mãos.

Muita vontade, dedicação, coragem, amor pela minha missão, mas faltava a ferramenta certa para não desperdiçar, não deixar nada escorrer pelo caminho.

Eu sei como é atuar em um mundo desconhecido quando não se tem a formação adequada e não é culpa do professor. Eu li nos comentários abaixo o relato de uma colega de profissão que faz total sentido, não é culpa do educador, é um processo que passa por etapas complicadas e que envolve outros fatores:

“...A aceitação desses alunos de inclusão com a implantação das leis, a falta de formação dos professores pelo poder público e falta de conhecimento para auxiliar esses alunos em seu desenvolvimento são fatores que ainda impedem uma ação mais eficaz do educador.”

Eu concordo com cada ponto dito que a diretora da UME Maria do Rosário e ainda acrescento mais um, eu não vejo perspectiva de melhora vinda do poder público.

Se depender do estado, infelizmente, eu não enxergo um cenário muito favorável para os próximos cinco ou dez anos. E nós, como educadores, se não tomarmos uma posição ativa, de protagonistas, estamos contribuindo para que isso continue assim.

Cabe a nós buscar o conhecimento necessário para que façamos valer o direito à educação dessas crianças.

Durante essa série eu procurei te dar um pequeno norte, uma primeira base para que você possa entender que para educar alunos do espectro autista é preciso partir do comportamento do aluno. Ou seja, o processo não é mais:

  • Eu ensino -----> Você aprende por erros e acertos.

Agora existe um novo componente nesse processo:

  • Eu vejo o que você precisa ------> estruturo a aprendizagem ----> monitoro essa aprendizagem -----> e a criança aprende!

Isso porque nessa nova abordagem levamos em consideração uma aspecto importantíssimo da aprendizagem, principalmente nos alunos com TEA: O Comportamento.

A partir da Análise do Comportamento é que eu determino qual é a ferramenta que eu vou utilizar, qual é a abordagem que eu vou aplicar para falar com essa criança.

Lembra do grito, que falamos na primeira lição? Sem entender o que está por trás desse comportamento, é impossível educar uma criança atípica da maneira correta e efetiva.

Por onde eu começo a definir as estratégias de ensino?

Quais as habilidades que eu preciso ter quando eu vou definir um comportamento? Por onde eu começo?

Essa é uma resposta simples: comece pelo básico.

Pode parecer óbvio (e na verdade é), mas muitos professores se preocupam demais com aspectos mais complexos da educação de uma criança com TEA, sendo que na verdade o que é fundamental não está bem resolvido.

Deixe eu te explicar melhor:

A primeira coisa que vale reforçar é que cada criança parte de uma base de aprendizado: precisamos de atenção, que ela nos ouça, que imite nossa linguagem estabelecendo assim uma relação, que nomeie o mundo ao seu redor e que peça o que deseja…. isso é base, isso é pré-requisito para qualquer tipo de aprendizagem, imagine então para aprendizagem escolar!!!

Como você vai explicar qualquer coisa para seu aluno se os mecanismos básicos de comunicação e linguagem não estão estabelecidos? E você sabia que dentro da Abordagem ABA existem estudos que vão de encontro a linguagem?

Quem nunca passou por isso, como no exemplo abaixo, que atire a primeira pedra….

De que adianta você se arrancar os cabelos porque o seu aluno não aprende a ler ou não aprende cores e não consegue acompanhar os amiguinhos?

O que eu preciso focar antes de tudo isso é entender de onde ele está, consiga prestar atenção e entenda o que está sendo explicado.

Percebe como nós negligenciamos, sem querer, comportamentos que para nós são automáticos, mas que para essas crianças não são? Isso faz toda a diferença.

O educador tem que ter isso muito claro, o que é óbvio para quem é neurotípico pode não ser tão óbvio assim para com tem autismo. Você como professor precisa saber definir esses comportamentos fundamentais.

Outra coisa que muitas vezes passa despercebido é a dificuldade de mudanças de uma criança com TEA. Às vezes as coisas podem estar mudando dentro da escola, seja pequenas mudanças ou grandes mudanças e as crianças com autismo não são devidamente preparadas para isso, ou seja, o trabalho de anos pode ser abalado em função de um conflito interno que pode tirar todo o foco do aluno.

O que aconteceu?
Por que não é mais assim?
Alguma coisa não está certo.

Eles podem ser extremamente sensíveis à percepção de “algo que não está certo”.

Enquanto para as demais crianças podemos explicar as cores simplesmente falando que: o céu é azul claro e a blusa é azul escuro, e ambos são azuis, em uma criança com autismo eu preciso entender esses canais de aprendizagem e essa estruturação para processos de mudanças e muitas vezes eu vou usar o que ela mais gosta e seu hiperfoco (dinossauros, personagens, etc… para serem meios para ela aprender).


O que eu faria em seu lugar a partir de agora?

Muito estudo e aprofundamento.

O que eu busquei com esta série de lições foi transmitir um pouco desse conhecimento e responder muitas dúvidas de professores que nunca tiveram acesso a esse tipo de informação.

Quando eu estava em sala de aula, não fazia a mínima ideia de que existia uma maneira de lidar com esse tipo de comportamento e isso teria mudado a vida de muitos alunos que estudaram comigo.

Espero ter te ajudado, que esse conhecimento tenha te dando uma luz, ou algumas, e se você quer saber um pouco mais sobre a abordagem que a NeuroSaber utiliza, deixe eu te falar um pouco mais sobre o Guia ABA.

O Guia ABA é um curso completo com 50h baseado em Análise de Comportamento Aplicada. E como é isso na prática?

É um curso online, para você estudar no seu tempo e nos seus horários que, em cinco módulos práticos onde você vai entender:

  • Como funciona essa abordagem
  • As estratégias de ensino para o desenvolvimento de uma criança com TEA
  • Quais as características de ensino dentro do contexto
  • O que é linguagem e como estimular a base da comunicação para os processos de aprendizagem escolar
  • O que vem antes da linguagem
  • Como trabalhar os sentidos
  • Autocuidado e habilidades sociais
  • Habilidades de ir ao banheiro, de comer e outras coisas da rotina dessa criança
  • Como trabalhar a socialização dessa criança
  • Como eu desenvolvo o Brincar desse aluno?
  • Habilidades Acadêmicas, participação da criança na sala
  • Como trabalhar comportamentos específicos do TEA como ecolalia e outros mais graves como auto lesão e destruição de objetos
  • E muito, muito mais

Este curso vai ser um norte para que você possa desenvolver e estimular os seus alunos do espectro autista dentro da sala de aula com segurança, acho que essa é a melhor palavra para definir esse conteúdo. É um material todo pautado em ciência, é o que eu gostaria de ter tido acesso lá atrás, para ter certeza que de estava fazendo a coisa certa pelos meus alunos.

Amanhã às 10h eu vou liberar as inscrições do Guia Aba com dois presentes para você que acompanhou essa série:

O primeiro é um desconto exclusivo para quem acompanhou a série. Amanhã você vai poder comprar com um preço especial.

O segundo eu acredito que você vá gostar muito, mas esse você tem que agir rápido! Somente os 50 primeiros a garantirem uma vaga nesta turma do ABA irão participar de uma sessão online comigo, essa limitação é em função da ferramenta de transmissão que eu utilizo, então é melhor você ficar de olho no seu e-mail amanhã.

Nessa sessão online eu vou explicar sobre Contexto Escolar e TEA: bases legais, qual o papel do mediador, relatórios de acompanhamento para fazer um processo inclusivo, de onde partir, como adaptar e muito mais.

Se quiser ser avisado primeiro e ter a chance de garantir a sua vaga, clique aqui.

Mais uma vez, espero que você tenha gostado da nossa série, comente abaixo o que você achou e parabéns por estar buscando conhecimento para melhorar a educação dos seus alunos.

Um grande abraço.

Lu Brites


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